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Debate • Por Felipe Siqueira — GloboEsporte.com - Foto: Fábio Cardoso • 03 jan 2019
Presidente do Conselho considera renúncia saída "mais rápida" para Abad e garante convocar eleição

Presidente do Conselho Deliberativo, Fernando Leite classificou como “desnecessária” a convocação de uma Assembleia Geral pelo presidente Pedro Abad para votar uma mudança no estatuto do Fluminense que permitirá a antecipação das próximas eleições. Em contato com o GloboEsporte.com, Leite defendeu que a saída mais rápida para a troca da direção do clube seria a renúncia do atual mandatário. E assegurou que convocaria novas eleições em um período de 45 dias, mesmo com a dubiedade do estatuto no cenário atual.

- Da mesma forma que me manifestei na tribuna na última reunião do Conselho Deliberativo, não é questão de ser contra essa assembleia, só acho que ela é completamente desnecessária. Existe já um dispositivo no estatuto que, no meu entender, seria muito mais rápida a tramitação, que é a renúncia. E no caso da renúncia do presidente, eu assumiria e convocaria a assembleia em até 45 dias. Essa engenharia toda para se mudar o estatuto para esta eleição, pela tramitação e exigências legais que cercam o procedimento, acontecerá, em um bom prazo, no fim de abril, no meu entendimento. Passa a ser um dispositivo até mais demorado que a própria renúncia dele e a minha marcação em 45 dias. E envolve também questões legais.

Leite se tornou um dos protagonistas do cenário político do Fluminense desde que a saída do presidente Pedro Abad passou a ser factível. Com a ausência de um vice geral (Cacá Cardoso renunciou em abril de 2018), seria ele quem assumiria a presidência temporariamente em caso de impeachment ou renúncia.

Caso o impedimento de Abad tivesse sido aprovado, o estatuto deixa claro que o presidente do Conselho teria 45 dias para convocar novas eleições. No caso de renúncia, porém, o texto dá margem para diferentes entendimentos - em um das interpretações, o presidente interino poderia seguir no cargo até o próximo pleito, marcado originariamente para novembro de 2019.

- Pelo que venho lendo, parece que havia uma dúvida se eu iria convocar essas eleições ou não. E eu estou garantindo aqui que eu vou convocar as eleições em 45 dias (em caso de renúncia). Se eu não fizer isso, poderia ser até judicializado por alguém que achasse que eu deveria convocar nesse período. Pelo tempo de tramitação da assembleia geral, estou garantindo ao Fluminense uma eleição muito mais rápida do que a proposta na assembleia geral.

- Você não pode antecipar um pleito eleitoral pela conveniência de não se fazer a renúncia expressa. A renúncia é um ato unilateral. Só ele pode dizer porque ele não quer exercer o ato de renunciar se ele mesmo reconhece que as pessoas não querem mais ele na presidência.

Para Leite, a convocação de uma Assembleia Geral pode abrir um “precedente perigoso”:

- Poderá ser aberto um precedente perigoso. Imagina em outro mandato o presidente também não esteja agradando torcedores e sócios decida usar do mesmo expediente? Vamos ficar fazendo assembleia geral em cima de assembleia geral para resolver uma coisa que existe um dispositivo estatutário que pode ser cumprido, que seria a renúncia com eleição em 45 dias.

Uma das razões para a alternativa Assembleia Geral é que Abad e seu principal grupo político, a Flusócio, acreditam que Fernando Leite é ligado à Unido e Forte, coalizão da qual fazem parte Cacá Cardoso (ex-vice geral) e outros vices que deixaram a atual gestão e hoje são opositores. Não querem que o grupo assuma o poder e chegaram a associá-los a gestões que marcaram o rebaixamento do clube para terceira divisão no fim dos anos 90.

- Não irei renunciar ao meu cargo porque não vou deixar o clube na mão de quem não tem legitimidade para tal. Ainda mais que essas pessoas foram as que levaram o Fluminense para a Série C - disse Abad no dia em que a votação do impeachment não ocorreu por falta de quórum.

Questionado sobre este tema, Leite respondeu:

- Ainda não conversei com o presidente sobre isso efetivamente. Mas ele fala de época lá de trás, 1998, 1999… Eu nem militava na política do Fluminense nessa época. Minha primeira aparição política no Fluminense foi em 2004 no primeiro mandato do presidente Roberto Horcades. Essa época que ele falou eu era sócio do clube, mas nem participei desse momento político. Se ele está me associando, está equivocado.

Perguntado sobre uma possível ligação/afinidade política com o grupo Unido e Forte, Leite complementou:

- Sou um cara que frequenta o clube. Antes de ser presidente do Conselho, sou um cara que conhece muitas pessoas no clube. Conheço pessoas do Unido e Forte, como conheço pessoas dos Esportes Olímpicos, da Flusócio… Mas sempre procuro pautar minhas decisões do Conselho Deliberativo com a maior independência possível, que agrade ou desagrade qualquer um dos grupos.

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